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quarta-feira, 20 de agosto de 2008

História de Alguns Mártires Cristãos

Cristo, nosso Salvador, no Evangelho de são Mateus, ouvindo a confissão de Simão Pedro, o qual, antes que todos os outros, reconheceu abertamente que Ele era o Filho de Deus, e percebendo a mão providencial de seu Pai nisso, o chamou (aludindo a seu nome) de "rocha", rocha sobre a qual edificaria Sua Igreja com tal força que as portas do inferno não prevaleceriam contra ela. E com estas palavras se devem observar três coisas: primeiro, que Cristo teria uma igreja neste mundo. segundo, que a mesma Igreja sofreria uma intensa oposição, não só por parte do mundo, senão também com todas as forças e poder do inferno inteiro. E em terceiro lugar que esta mesma Igreja, apesar de todo o poder e maldade do diabo, se manteria.

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Vemos esta profecia de Cristo verificada de modo maravilhoso, por quanto todo o curso da Igreja até o dia de hoje não parece mais que um cumprimento desta profecia. primeiro, o fato de que Cristo tenha estabelecido uma Igreja, não necessita demonstração. Segundo, com que força se opuseram contra a Igreja príncipes, reis, monarcas, governadores e autoridades deste mundo! E, em terceiro lugar, como a Igreja, apesar de tudo, tem suportado e retido o que lhe pertencia! É maravilhoso observar que tormentas e tempestades ela tem vencido. E para uma mais evidente exposição disto tenho preparado esta história, com o fim, primeiro de que as maravilhosas obras de Deus em sua Igreja redundem para Sua Glória; e também para que ao expor-se a continuação e história da Igreja, possa redundar em maior conhecimento e experiência para proveito do leitor e para a edificação da fé cristã.


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Como não é nosso propósito entrar na história de nosso Salvador, nem antes nem depois de Sua crucifixão, só será necessário lembrar aos nossos leitores o desconcerto dos judeus pela Sua posterior ressurreição. Ainda que um apóstolo o havia traído; embora outro o tinha negado, sob a solene sanção de um juramento, e ainda que o resto tinha-o abandonado, a exceção daquele "discípulo que era conhecido do sumo sacerdote", a história de sua ressurreição deu uma nova direção a todos seus corações e, depois da missão do Espírito Santo, transmitiu uma nova confiança em suas mentes. Os poderes de que foram investidos lhes deram confiança para proclamar Seu nome, para confusão dos governantes judeus, e por assombro dos prosélitos gentios.

1. ESTEVÃO
Estevão foi o seguinte a padecer. Sua morte foi ocasionada pela fidelidade com a que predicou o Evangelho aos entregadores e matadores de Cristo. Foram excitados eles a tal grau de fúria, que o expulsaram fora da cidade, apedrejando-o até matá-lo. a época em que sofreu supõe-se geralmente como a Páscoa posterior à da crucifixão de nosso Senhor, e na época de Sua ascensão, na seguinte primavera.
A continuação suscitou-se uma grande perseguição contra todos os que professavam a crença em Cristo como Messias, ou como profeta. São Lucas nos diz de imediato que "fez-se naquele dia uma grande perseguição contra a igreja que estava em Jerusalém", e que "todos foram dispersos pelas terras da Judéia e de Samaria, exceto os apóstolos" (Atos 8:1, ACF).
Em volta de dois mil cristãos, incluindo Nicanor, um dos sete diáconos, padeceram o martírio durante a "tribulação suscitada por causa de Estevão" (Atos 11:9, PJFA).

2. TIAGO O MAIOR
O seguinte mártir que encontramos no relato segundo Lucas, na História dos Atos dos Apóstolos, é Tiago, filho de Zebedeu, irmão mais velho de João e parente de nosso Senhor, porque sua mãe Salome era prima irmã da Virgem Maria. Não foi até dez anos depois da morte de Estevão que teve lugar este segundo martírio. Aconteceu que tão pronto como Herodes Agripa foi designado governador da Judéia que, com o propósito de congraçar-se com os judeus, suscitou uma intensa perseguição contra os cristãos, decidindo dar um golpe eficaz, e lançando-se contra seus dirigentes. Não se deveria passar por alto o relato que dá um eminente escritor primitivo, Clemente de Alexandria. Nos diz que quando Tiago estava sendo conduzido ao lugar de seu martírio, seu acusador foi levado ao arrependimento, caindo a seus pés para pedi-lhe perdão, professando-se cristão e decidindo que Tiago não receberia sozinho a coroa do martírio. Por isso, ambos foram decapitados juntos. Assim recebeu, resoluto e bem disposto, o primeiro mártir apostólico aquele cálice que ele tinha dito ao Salvador que estava disposto a beber. Timão e Parmenas sofreram o martírio por volta daquela época; o primeiro em Filipos, e o segundo na Macedônia. Estes acontecimentos tiveram lugar no 44 d.C.

3. FELIPE
Nasceu em Betsaida da Galiléia, e foi chamado primeiro pelo nome de "discípulo". Trabalhou diligentemente na Ásia Superior, e sofreu o martírio em Heliópolis, na Frigia. Foi acoitado, encarcerado e depois crucificado, no 54 d.C.

4. MATEUS
Sua profissão era arrecadador de impostos, e tinha nascido em Nazaré. Escreveu seu evangelho em hebraico, que foi depois traduzido ao grego por Tiago o Menor. Os cenários de seus trabalhos foram Partia e a Etiópia, país no que sofreu o martírio, sendo morto com uma lança na cidade de Nadaba no ano 60 d.C.

5. TIAGO O MENOR
Alguns supõem que se tratava do irmão de nosso Senhor por parte de uma anterior mulher de José. Isto resulta muito duvidoso, e concorda demasiado com a superstição católica de que Maria jamais teve outros filhos além de nosso Salvador. Foi escolhido para supervisar as igrejas de Jerusalém, e foi o autor da Epístola ligada a Tiago. A idade de noventa e nove anos foi espancado e apedrejado pelos judeus, e finalmente abriram-lhe o crânio com um cacetete.

6. MATIAS
Dele se sabe menos que da maioria dos discípulos; foi escolhido para encher a vaga deixada por Judas. Foi apedrejado em Jerusalém e depois decapitado.

7. ANDRÉ
Irmão de Pedro, predicou o evangelho a muitas nações da Ásia; mas ao chegar a Edessa foi apreendido e crucificado numa cruz cujos extremos foram fixados transversalmente no chão. Daí a origem do termo de Cruz de Santo André.

8. MARCOS
Nasceu de pais judeus da tribo de Levi. Supõe-se que foi convertido ao cristianismo por Pedro, a quem serviu como amanuense, e sob cujo cuidado escreveu seu Evangelho em grego. Marcos foi arrastado e despedaçado pelo populacho de Alexandria, em grande solenidade de seu ídolo Serapis, acabando sua vida em suas implacáveis mãos.

9. PEDRO
Entre muitos outros santos, o bem-aventurado apóstolo Pedro foi condenado a morte e crucificado, como alguns escrevem, em Roma; embora outros, e não sem boas razões, tenham dúvidas a esse respeito. Hegéssipo diz que Nero buscou razões contra Pedro para dá-lhe morte; e que quando o povo percebeu, rogaram-lhe insistentemente que fugisse da cidade. Pedro, ante a insistência deles, foi finalmente persuadido e se dispus a fugir. Porém, chegando até a porta viu o Senhor Cristo acudindo a ele e, adorando-o, lhe disse: "Senhor, aonde vais?" ao que ele respondeu: "A ser de novo crucificado". Com isto, Pedro, percebendo que se referia a seu próprio sofrimento, voltou à cidade. Jerônimo diz que foi crucificado cabeça para abaixo, com os pés para cima, a petição dele, porque era, disse, indigno de ser crucificado da mesma forma que seu Senhor.

10. PAULO
Também o apóstolo Paulo, que antes se chamava Saulo, após seu enorme trabalho e obra indescritível para promover o Evangelho de Cristo, sofreu também sob esta primeira perseguição sob Nero. Diz Obadias que quando se dispus sua execução, Nero enviou dois de seus cavaleiros, Ferega e Partémio, para que lhe dessem a notícia de que ia ser morto. Ao chegarem a Paulo, que estava instruindo o povo, pediram-lhe que orasse por eles, para que eles acreditassem. Ele disse-lhe que em breve acreditariam e seriam batizados diante de seu sepulcro. Feito isso, os soldados chegaram e o tiraram da cidade para o lugar das execuções, onde, depois de ter orado, deu seu pescoço à espada.

11. JUDAS
Irmão de Tiago, era comumente chamado Tadeu. Foi crucificado em Edessa o 72 d.C.

12. BARTOLOMEU
Predicou em vários países, e tendo traduzido o Evangelho de Mateus na linguajem da Índia, o propalou naquele país. Finalmente foi cruelmente açoitado e logo crucificado pelos agitados idólatras.

13. TOMÉ
Chamado Dídimo, predicou o Evangelho em Partia e na Índia, onde por ter provocado a fúria dos sacerdotes pagãos, foi martirizado, sendo atravessado com uma lança.

14. LUCAS
O evangelista foi autor do Evangelho que leva seu nome. Viajou com Paulo por vários países, e se supõe que foi pendurado de uma oliveira pelos idólatras sacerdotes da Grécia.

15. SIMÃO
Apelidado de zelote, predicou o Evangelho na Mauritânia, África, inclusive na Grã Bretanha, país no qual foi crucificado em 74 d.C.

16. JOÃO
O "discípulo amado" era irmão de Tiago o Maior. As igrejas de Esmirna, Sardes, Pérgamo, Filadélfia, Laodicéia e Tiatira foram fundadas por ele. Foi enviado de Éfeso a Roma, onde se afirma que foi lançado num caldeiro de óleo fervendo. Escapou milagrosamente, sem dano algum. Domiciano desterrou posteriormente na ilha de Patmos, onde escreveu o livro do Apocalipse. Nerva, o sucessor de Domiciano, o libertou. Foi o único apóstolo que escapou de uma morte violenta.

17. BARNABÉ
Era de Chipre, porém de ascendência judia. Supõe-se que sua morte teve lugar por volta do 73 d.C.

E apesar de todas estas contínuas perseguições e terríveis castigos, a Igreja crescia diariamente, profundamente arraigada na doutrina dos apóstolos e dos varões apostólicos, e regada abundantemente com o sangue dos santos.

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FOX, John. O Livro dos Mártires. Rio de Janeiro: CPAD.

terça-feira, 8 de julho de 2008

O Soluço de Um Bilhão de Almas

Diz-se que Martinho Lutero tinha um amigo íntimo, cujo nome era Miconio. Ao ver Lutero sentado dias a fio trabalhando no serviço do Mestre, Miconio ficou penaliza­do e disse-lhe: "Posso ajudar mais onde estou; permanece­rei aqui orando enquanto tu perseveras incansavelmente na luta." Miconio orou dias seguidos por Martinho. Mas enquanto perseverava em oração, começou a sentir o peso da própria culpa. Certa noite sonhou com o Salvador, que lhe mostrou as mãos e os pés. Mostrou-lhe também a fonte na qual o purificara de todo o pecado. "Segue-me!" disse-lhe o Senhor, levando-o para um alto monte de onde apon­tou para o nascente. Miconio viu uma planície que se es­tendia até o longínquo horizonte. Essa vasta planície esta­va coberta de ovelhas, de muitos milhares de ovelhas brancas. Somente havia um homem, Martinho Lutero, que se esforçava para apascentar a todas. Então o Salvador disse a Miconio que olhasse para o poente; olhou e viu vas­tos campos de trigo brancos para a ceifa. O único ceifador,que lidava para segá-los, estava quase exausto, contudo persistia na sua tarefa. Nessa altura, Miconio reconheceu o solitário ceifeiro, seu bom amigo, Martinho Lutero! Ao despertar do sono, tomou esta resolução: "Não posso ficar aqui orando enquanto Martinho se afadiga na obra do Se­nhor. As ovelhas devem ser pastoreadas; os campos têm de ser ceifados. Eis-me aqui, Senhor; envia-me a mim!" Foi assim que Miconio saiu para compartilhar do labor de seu fiel amigo.
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Jesus nos chama para trabalhar e orar. É de joelhos que a Igreja de Cristo avança. Foi Lionel Fletcher quem escre­veu: "Todos os grandes ganhadores de almas através dos sé­culos foram homens e mulheres incansáveis na oração. Co­nheço como homens de oração quase todos os pregadores de êxito da geração atual, tanto como os da geração próxi­ma passada, e sei que, igualmente, foram homens de in­tensa oração".
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"Certo evangelista tocou-me profundamente a alma quando eu era ainda jovem repórter dum diário. Esse evangelista estava hospedado em casa de um pastor pres­biteriano. Bati à porta e pedi para falar com o evangelista. O pastor, com voz trêmula e com o rosto iluminado por estranha luz, respondeu: "Nunca se hospedou um homem como ele em nossa ca­sa. Não sei quando ele dorme. Se entro no seu quarto du­rante a noite para saber se precisa de alguma coisa, encon­tro-o orando. Vi-o entrar no templo cedo de manhã e não voltou para as refeições.
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Fui à igreja... Entrei furtivamente para não perturbá-lo. Achei-o sem paletó e sem colarinho. Estava caído de bruços diante do púlpito. Ouvi a sua voz como que agoni­zante e comovente instando com Deus em favor daquela cidade de garimpeiros, para que dirigisse almas ao Salva­dor. Tinha orado toda a noite; tinha orado e jejuado o dia inteiro.
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Aproximei-me furtivamente do lugar onde ele orava prostrado, ajoelhei-me e pus a mão sobre seu ombro. O suor caía-lhe pelo corpo. Ele nunca me tinha visto, mas fi­tou-me por um momento e então rogou: 'Ore comigo, irmão! Não posso viver se esta cidade não se chegar a Deus.' Pregara ali vinte dias sem haver conversões. Ajoelhei-me ao seu lado e oramos juntos. Nunca ouvira alguém insistir tanto como ele. Voltei de lá assombrado, humilhado e es­tremecendo.
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"Aquela noite assisti ao culto no grande templo onde ele pregou. Ninguém sabia que ele não comera durante o dia inteiro, que não dormira durante a noite anterior. Mas, ao levantar-se para pregar, ouvi diversos ouvintes dizerem: 'A luz do seu rosto não é da terra!' E não era mesmo. Ele era conceituado instrutor bíblico, mas não tinha o dom de pregar. Porém, nessa noite, enquanto pregava, o auditório inteiro foi tomado pelo poder de Deus. Foi a primeira gran­de colheita de almas que presenciei."
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Há muitas testemunhas oculares do fato de Deus conti­nuar a responder às orações como no tempo de Lutero, Edwards e Judson. Transcrevemos aqui o seguinte comentá­rio publicado em certo jornal: "A irmã Dabney é uma crente humilde que se dedica a orar... Seu marido, pastor de uma grande igreja, foi cha­mado para abrir a obra em um subúrbio habitado por pobres. No primeiro culto não havia nenhum ouvinte: so­mente ele e ela assistiram. Ficaram desenganados. Era um campo dificílimo: o povo não era somente pobre, mas de­pravado também. A irmã Dabney viu que não havia espe­rança a não ser clamar ao Senhor, e resolveu dedicar-se persistentemente à oração. Fez um voto a Deus que, se Ele atraísse os pecadores aos cultos e os salvasse, ela se entre­garia à oração e jejuaria três dias e três noites, no templo, todas as semanas, durante um período de três anos.
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"Logo, que essa esposa de um pastor angustiado come­çou a orar, sozinha, no salão de cultos, Deus começou a operar, enviando pecadores, a ponto de o salão ficar super­lotado de ouvintes. Seu marido pediu que orasse ao Senhor e pedisse um salão maior. Deus moveu o coração de um co­merciante para desocupar o prédio fronteiro ao salão, cedendo-o para os cultos. Continuou a orar e a jejuar três ve­zes por semana, e aconteceu que o salão maior também não comportava os auditórios. Seu marido rogou-lhe nova­mente que orasse e pedisse um edifício onde todos quantos desejassem assistir aos cultos pudessem entrar. Ela orou e Deus lhes deu um grande templo situado na rua principal desse subúrbio. No novo templo, também a assistência au­mentou a ponto de muitos dos ouvintes serem obrigados a assistir às pregações de pé, na rua. Muitos foram libertos do pecado e batizados."
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Quando os crentes sentem dores em oração, é que re­nascem almas. "Aqueles que semeiam em lágrimas, com júbilo ceifarão."
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"O soluço de um bilhão de almas na terra me soa aos ouvidos e comove o coração; esforço-me, pelo auxílio de Deus, para avaliar, ao menos em parte, as densas trevas, a extrema miséria e o indescritível desespero desses mil mi­lhões de almas sem Cristo. Medita, irmão, sobre o amor do Mestre, amor profundo como o mar; contempla o horripi­lante espetáculo do desespero dos povos perdidos, até não poderes censurar, até não poderes descansar, até não pode­res dormir."
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Sentindo as necessidades dos homens que perecem sem Cristo, foi que Carlos Inwood escreveu o que lemos acima, e é por essa razão que se abrasa a alma dos heróis da igreja de Cristo através dos séculos.
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Na campanha de Piemonte, Napoleão dirigiu-se aos seus soldados com as seguintes palavras: "Ganhastes san­grentas batalhas, sem canhões, atravessastes caudalosos rios sem pontes, marchastes incríveis distâncias descalços, acampastes inúmeras vezes sem coisa alguma para comer, tudo graças à vossa audaciosa perseverança! Mas, guerrei­ros, é como se não tivéssemos feito coisa alguma, pois resta ainda muito para alcançarmos!"
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Guerreiros da causa santa, nós podemos dizer o mes­mo: é como se não tivéssemos feito coisa alguma. A auda­ciosa perseverança é-nos ainda indispensável; há mais al­mas para salvar atualmente do que no tempo de Müller, de Livingstone, de Paton, de Spurgeon e de Moody.

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"Ai de mim, se não anunciar o Evangelho!" (1 Coríntios 9.16). Não podemos tapar os ouvidos espirituais para não ou­vir o choro e os suspiros de mais de um bilhão de almas na terra que não conhecem o caminho para o lar celestial.
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BOYER, Orlando. Heróis da Fé, Vinte homens extraordinários que incendiaram o mundo. 15ª ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1999

sábado, 15 de março de 2008

William Seymour e o Avivamento na Rua Azuza

Foi em Indianápolis que Seymour se converteu, em uma Igreja Metodista. Logo, entretanto, ele se uniu ao movimento da Igreja de Deus Reformada em Anderson, Indiana. Naquele tempo o grupo era chamado de "Os santos da Luz do Alvorecer". Enquanto estava com aquele grupo de santidade, ele foi separado e chamado para ser um pregador. Em Cincinnati, Ohio, depois de um surto quase fatal de varíola, Seymour se rendeu à chamada ministerial. A varíola o deixou cego de um olho e com marcas na face, e, pelo resto de sua vida ele usou uma barba para esconder aquelas marcas.
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Em 1905, Seymour estava em Houston, Texas, quando ouviu a mensagem pentecostal pela primeira vez. Ele se matriculou na Escola Bíblica dirigida por Charles F. Parham. Parham, foi o fundador do movimento de Fé Apostólica, e é o pai do reavivamento Pentecostal/carismático moderno. Na Escola Bíblica de Topeka, Kansas, seus seguidores tinha recebido o batismo no Espírito Santo com a evidência bíblica de falar em outras línguas. Por causa das leis de segregação racial da época, Seymour foi forçado a se assentar no corredor, do lado de fora da sala de aula. O humilde servo de Deus suportou a injustiça com graça. Seymour deve ter sido um homem de um aguçado intelecto. Em poucas semanas ele se tornou bastante familiarizado com os ensinos de Parham, que observou que ele também podia ensinar. Entretanto, não recebera o batismo com o Espírito Santo com a evidência de falar em línguas.
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Parham e Seymour dirigiram, juntos, reuniões em Houston, com Seymour pregando para auditórios negros enquanto Parham pregava para grupos de brancos. Parham tinha planos de usar Seymour para espalhar a mensagem da Fé Apostólica para os afro-americanos do Texas. Neely Terry , uma convidada de Los Ângeles, encontrou com Seymour quando ele pregava numa Igreja regular pastoreada por Lucy Farrar. Esta, era empregada da família de Parham no Kansas. Quando Terry retornou à Los Ângeles, ela persuadiu a pequena Igreja de Santidade que freqüentava a convidar Seymour para ir até sua Igreja para uma reunião. Sua pastora, Julia Huthinson, oficializou o convite.Seymour chegou a Los Ângeles em fevereiro de 1906.
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Seus primeiros esforços para pregar a mensagem pentecostal foram impedidos e ele foi expulso porta à fora daquela igreja. A liderança tinha suspeitas da doutrina de Seymour, estavam especialmente convencidos de que ele pregava sobre uma coisa que ainda não tinha recebido.
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Mudando para a casa de Edward Lee, um zelador de um banco local, o bispo Seymour começou a ministrar a um grupo de oração que estava se reunindo regularmente na casa de Richard e Ruth Asbery, na Rua Bonnie Brae, 214. Asberry também tinha um emprego de zelador. A maioria dos adoradores eram afro-americanos, com algumas visitas ocasionais de brancos. Assim que o grupo foi buscando a Deus por reavivamento, sua fome se intensificou.
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Finalmente, em 19 de abril, Lee foi batizado no Espírito Santo com a evidência de falar em outras línguas. Quando as novas de seu batismo foram contadas aos verdadeiros crentes da Rua Bonnie Brae, um poderoso derramamento se seguiu. Muitos receberam o Batismo do Espírito Santo como um reavimento pentecostal chegado à Costa Oeste. Aquela tarde poderia ser descrita assim: gente caindo pelo assoalho parecendo insconscientes, outras clamavam e corriam pela casa. Uma vizinha, Jennie Evans Moore, tocou piano sem nunca ter tocado antes.
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Nos poucos dias de continuo derramamento, centenas se ajuntaram. As ruas ficaram cheias e Seymour pregava do alpendre dos Asbery. Em 12 de abril, três dias depois do derramamento inicial, Seymour recebeu seu próprio batismo de poder.Rapidamente, deixando o lar dos Asbery, o bispo procurou um local para uma igreja. Eles encontraram um prédio de uma missão na Rua Azuza nº 312.
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A missão tinha sido construída para ser uma Igreja Metodista Episcopal Africana, mas quando os planos foram abandonados, o santuário do andar de cima foi transformado em apartamentos. Um incêndio destruiu um lance do teto e ele foi refeito um flat de 40 x 60 com a aparência de uma caixa quadrada. O porão inacabado com um teto baixo e um chão sujo, era usado como armazem e estábulo.
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Esse porão veio a ser o local da Missão da Fé Apostólica. uma mistura de cadeiras e pranchas de madeira foram arranjadas para os assentos e oração. Duas caixas cobertas por um tecido barato se transformaram em um púlpito. foi deste humilde local, que a verdade pentecostal se espalhou para o mundo.Visitantes vieram tanto de perto quanto de longe para participar do grande avivamento na Missão da Fé Apostólica da Rua Azuza, 312 em Los Ângeles, Califórnia.
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Em 17 de abril, o jornal Los Angeles Daly Times enviou um reporter ao local do reavivamento. Em seu artigo ele malhou a reunião e o pastor chamando os frequentadores de "uma nova seita de fanáticos", de Seymor disse: um velho exortador. Ele zombou das línguas estranhas : Uma esquisita babel de línguas ".
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Mais importante do que suas críticas,foi o tempo providencial da sua visita. O artigo foi publicado no mesmo dia do grande terremoto de São Francisco. Californianos daquela região foram pegos de surpresa e com grande temor achavam que o reavivamento era o cumprimento das profecias do dia do Grande Juízo Final.Imediatamente, Frank Bartleman, um evangelista intinerante, publicou um folheto sobre o terremoto. Milhares de folhetos, sobre o cumprimento das profecias, foram distribuidos. Logo, multidões se apertaram na Rua Azuza. Um recepcionista disse que mais de mil pessoas lotavam a propriedade. Centenas enchiam o pequeno prédio. outros assistiam do lado de fora, entupindo aquela rua suja.
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Com a ajuda de um estenógrafo e um editor, a Missão começou a publicar um jornal, "A Fé Apostólica". Os Sermões de Seymour eram transcritos e impressos junto com as novidades sobre reuniões de muitos missionários que estavam sendo enviados. Os escritos literalmente espalharam a mensagem Pentecostal através do Globo. Circularam mais de 50.000.
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Cultos eram dirigidos três vezes ao dia: às 10:00, à tarde e às 19:00h. Eles freqüentemente permaneciam juntos o dia inteiro até o fim do último culto. Este programa continuou sete dias por semana, por mais de três anos. Era muito comum o perdido ser salvo, o doente curado, o endemoninhado liberto,e quem buscava saía batizado com o Espírito Santo na mesma reunião. Muitos dos pioneiros do movimento Pentecostal receberam o Santo batismo adorando nas pranchas de casca de madeira no altar da Rua Azuza.
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Em 28 de setembro de 1922, com 52 anos de idade, teve dores no peito e falta de ar. Embora o médico fosse chamado, o peregrino foi estar com o Senhor na Cidade Celestial.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

A Fé de Resultados




PASTOR MARCOS PEREIRA QUE REVOLUCIONA OS PRESÍDIOS COM A PALAVRA DE DEUS
O ministério com encarcerados já reintegrou na sociedade aproximadamente 5 mil pessoas


O
Pr. Marcos Pereira é conhecido por ser instrumento de Deus para levar a Palavra aos encarcerados, em diversos presídios de estados brasileiros. Presidente da Igreja Assembléia de Deus dos Últimos Dias, o Pr. Marcos tem marcado diferença por empenhar-se no trabalho de evangelização nos cárceres, trazendo muitas almas carentes para o Reino de Deus. Com grande autoridade tem levado o evangelho cumprindo um dos mandamentos mais importantes da Palavra: “Amarás o Senhor teu Deus, de todo o teu coração, de toda tua alma, e de todo o teu entendimento: e amarás a teu próximo como a ti mesmo” Mateus 22.37.

O início do trabalho aconteceu em 1990, no Presídio de Segurança Máxima em Ilha Grande- Rio de Janeiro, durante uma visita aos encarcerados e desde então não parou mais. Atualmente o Pastor atua em todas as penitenciárias do Rio de Janeiro e em outros estados do Brasil tendo milhares de ex-detentos totalmente recuperados. Em entrevista exclusiva ao Jornal Mundo Gospel o Pr. Marcos relata sobre os trabalhos realizados não só nos presídios como em favelas, hospitais, lares, creches levando a Palavra de Deus e crendo na restauração de todos.

Acompanhe a entrevista.

Mundo Gospel:
Pr. Marcos o trabalho que o sr. executa nos presídios é algo maravilhoso, como aconteceu este chamado?
Pr. Marcos Pereira: No ano de 1990 quando fui fazer uma visita no Presídio de Segurança Máxima, na Ilha Grande, Rio de Janeiro. Durante a visita me compadeci por aquelas vidas, e algo tocou meu coração para que eu continuasse esta obra. Acredito que Deus estava me preparando para atuar como tem feito em diversas penitenciárias do Rio de Janeiro, e em outros estados do Brasil vendo milhares de vidas sendo totalmente recuperadas e integradas a sociedade. Todas essas pessoas necessitam de Jesus Cristo e para a Glória de Deus aproximadamente 5.100 pessoas já tiveram suas vidas restauradas pelo Senhor Jesus, e temos atuado também em outros estados como Paraná, Bahia, Amapá. Em todos os lugares levando o evangelho e o amor de Deus aos encarcerados tão sedentos.

Mundo Gospel: É visível que este trabalho de libertação em presídios requer estar debaixo da unção do Senhor Jesus. Pr. Marcos como é estar em guerra espiritual constante, frente a frente com o inimigo?
Pr. Marcos Pereira:
A Palavra de Deus diz que devemos nos revestir de toda a armadura de Deus, pois a nossa luta não é contra a carne e sangue, mas contra principados e potestades nas regiões celestiais. O homem deve vigiar no que fala e o que ouve, para isso deve estar em sintonia e em santidade com o Senhor, basta fazer conforme os ensinamentos da Palavra de Deus e estar revestido do Senhor Jesus para vencer todos os dardos do maligno. Graças a Deus temos presenciado nos presídios a manifestação do poder de Deus , porque estamos com a vida no altar, por este motivo estar a frente com o inimigo só mostra que temos a certeza da vitória por Cristo Jesus. Seguindo os ensinamentos bíblicos e fugindo da aparência do mal, Deus opera na nossa vida sobrenaturalmente. A Palavra diz: se Cristo vos libertar, verdadeiramente sereis livres.

Mundo Gospel:
Quais estados e países em que o sr. Passou levando a Palavra de Deus e relatando os milagres no seu ministério?
Pr. Marcos Pereira:
Nos estados brasileiros praticamente já estive em quase todos, e fora do país nos Estados Unidos, França, Itália relatando os milagres que Deus tem realizado nos presídios brasileiros.

Mundo Gospel:
Número de trabalhos realizados no mês e semanas, como conciliar o tempo? Existe uma equipe que também atua nos presídios auxiliando?
Pr. Marcio Pereira:
Temos uma equipe de 50 pessoas em nossa igreja que ajudam nos trabalhos executados nos presídios e comunidades carentes do Rio de Janeiro no Complexo do Alemão, Roçinha, Complexo da Marea, Polinter e muitas outras comunidades no estado do Rio de Janeiro e fora dele também.

Mundo Gospel:
Fale sobre a Igreja Assembléia de Deus dos Últimos Dias existe apoio da igreja na obra?
Pr. Marcos Pereira:
Para a Glória de Deus em nossa igreja matriz, 70% das pessoas são ex-viciados e encarcerados restaurados pelo Senhor Jesus, em nosso meio o ex-pagodeiro Waguinho que era ex-dependente químico e hoje com sua bela voz louva o Senhor Jesus. Outro exemplo é a cantora Elaine Martins alcançada pelo trabalho da igreja na Comunidade Complexo do Alemão.

Mundo Gospel:
Há um tempo atrás acontecerão diversas rebeliões em estados da região sudeste do Brasil-Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Pr. Marcos o sr foi um importante mediador nesses conflitos, mencione sobre a sua participação nas rebeliões ocorridas no Rio de Janeiro?
Pr. Marcos Pereira:
Essas rebeliões aconteceram simultaneamente e o governador do estado do Rio de Janeiro me ligou, pra que os ajudasse a acalmar os presos, pois conhecia o meu ministério.Eu disse: - Eu não posso fazer nada, mas o meu Deus pode! Quando cheguei no local começamos a quebrar fortalezas, expulsar as hostes malignas e diversos presos caíram ao chão sendo libertos, e a rebelião acabou. Juízes, advogados, delegados atentaram para o fato, mas sabemos que o nosso Deus, Leão de Judá vence todas as batalhas. Tudo para a Glória de Deus!

Mundo Gospel:
Conte-nos sobre a família como é o apoio ao ministério com encarcerados?
Pr. Marcos Pereira: Minha esposa é uma grande ajudadora e benção na minha vida. Meu filho pregador da Palavra de Deus e executa trabalho em delegacias e com menores. Minha filha é 50% do meu ministério, e está comigo em todas rebeliões e trabalhos. Posso dizer: Eu e minha casa servimos ao Senhor.

Mundo Gospel:
Existe algum milagre que marcou nesta trajetória?
Pr. Marcos Pereira:
O primeiro milagre que me marcou aconteceu com meu filho, que aos cinco meses os médicos disseram que estava morto no ventre de minha esposa, mas Deus operou milagre e hoje ele está aqui conosco. O segundo aconteceu quando fui salvar um presbítero que estava amarrado dentro de uma comunidade, e no momento em que traficante atirou no irmão, eu pulei na frente. Para mim aquelas balas eram de festim, mas eram tiros de uma metralhadora AR15, ele deu vários disparos. Quando ministrava o culto a noite o traficante mandou me chamar, e ao chegar na comunidade o jovem estava assustado, pois mencionara que aqueles disparos tinham sido feito com balas verdadeiras, e não entendia como eu não tinha morrido. Isso é poder de Deus e agradeço sempre pelo livramento.

Mundo Gospel:
Para este ano quais os projetos em seu ministério e na Igreja dos Últimos Dias?
Pr. Marcos Pereira:
Estive a alguns dias atrás nos Estados Unidos e recebi convites para fazer palestras em universidades, escolas falando sobre o nosso projeto com encarcerados. Outro fator importante é o lançamento do primeiro CD de nossa igreja: “Minha Casa e Eu Serviremos ao Senhor”, do Ministério de Louvor dos Últimos Dias. Toda renda deste CD será aplicada em trabalhos que a igreja desenvolve. Participando do CD como intérpretes: Elaine Martins, Nívea Silva, Waguinho, Kelen e o próprio Pastor Marcos.

Mundo Gospel:
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quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Martinho Lutero - 1483-1546

A biografia que passaremos a estudar, sobre alguns destes Pais da Igreja, é um resumo daquilo que realmente viveram em suas épocas. Que possamos tomar o exemplo de fé, amor pelas almas e ousadia destes homens; e saber que na época em que vivemos hoje, ainda podemos ser “Heróis da Fé”. Possamos através da graça de Deus, pagar o preço que nos é proposto, a fim de manter a Igreja edificada, a defesa do Evangelho e a luta contra todo espírito que queira corromper as doutrinas da infalível Palavra de Deus. Que o Senhor vos abençoe!

Introdução

Há 478 anos, no dia 31 de outubro de 1519, Martinho Lutero fixou suas famosas teses (total de 95) contra a venda de indulgências, na porta da Igreja Católica do Castelo de Wittenberg, na Alemanha, contrariando os interesses teológicos e, principalmente, econômicos da Igreja Católica. O impacto foi tamanho, que se comemora nessa data o início da Reforma Protestante.

Lutero não foi, como alguns pensam, o fundador de uma nova religião, o protestantismo. A Reforma Protestante, da qual foi impulsionador, foi além do movimento da libertação nacional, que resultou na formação de igrejas nacionais entre os anos de1517 a 1563. Foi, sem dúvida, o grande precursor da liberdade religiosa atual e quem mais contribuiu para um retorno do cristianismo às Escrituras. Para não admitir suas falhas, são diversas as acusações da Igreja Católica a Lutero, de louco a rebelde orgulhoso.

A preparação para a Reforma

No decorrer dos séculos, desde os tempos de Cristo, tem havido um desvio daquilo que Jesus ensinou. Sempre se levantaram vozes em defesa da pureza do Evangelho. Apesar do zelo, sempre existiram aqueles que se desviavam, trazendo para dentro da Igreja práticas de outras religiões. Esses desvios, a princípio em número reduzido, foram aumentando a ponto de paganizar a Igreja, transformando-a no que conhecemos hoje por Igreja Católica.

No começo, foi apenas a inclusão da hierarquia onde o papa era o líder supremo; depois vieram o batismo para a salvação, a adoração de santos, e outros, atingindo um patamar tal, que por volta do século XIV, a Igreja Católica estava completamente envolvida no paganismo. Daí a salvação passou a ser comercializada como qualquer outro objeto.

Enquanto o cristianismo romano se paganizava, muitas pessoas às quais o nome 'cristão' fora negado, lutavam para que a Igreja retornasse aos princípios do Novo Testamento. Entretanto, ela já havia se institucionalizado, e esses reformadores passaram a ser acusados de hereges. Geralmente eram expulsos de suas congregações e perseguidos, pagando, muitas vezes com a vida, pelo zelo cristão.

Até o século XIV, os protestos dessas pessoas foram abafados; porém com o advento de uma nova mentalidade, que deu origem às transformações políticas, sociais, científicas, literárias e mais, foram sendo notados. Naquele período, as grandes descobertas marítimas, a invenção da imprensa, a descoberta do maravilhoso mundo clássico da literatura e arte, até então perdidos, produziram um despertar da natureza humana, que se processou de forma intensa e geral. Esse período ficou conhecido como Renascença, movimento que produziu a energia necessária para a revolução religiosa que se daria no século XVI.

O grande nome dessa revolução religiosa foi Martinho Lutero, monge agostiniano. que, revoltado contra a venda de indulgências, levantou a bandeira da liberdade religiosa frente à corrompida Igreja Católica.

Peregrinação espiritual

Lutero nasceu em 1483, em Eisleben, Alemanha, onde seu pai, de origem camponesa, trabalhava em minas. A sua infância não foi feliz. Seus pais eram extremamente severos. Durante toda a sua vida foi prisioneiro de períodos de depressão e angústia profunda, quando aspirava pela salvação de sua alma.

Em 1505, antes de completar 22 anos, ingressou - contra a vontade de seu pai, que sonhava com a carreira de advogado para ele - no mosteiro Agostinho de Erfurt. Dos motivos que o levaram a tal passo, esse acontecimento foi decisivo: duas semanas antes, quando sobremaneira o temor da morte e do inferno o afligia, prometeu a santa Ana caso se salvasse se tornaria um monge. Portanto, a razão principal, foi o seu interesse pela própria salvação.

Ingressou no mosteiro como filho fiel da Igreja no propósito de utilizar os meios de salvação que ela lhe oferecia e dos quais o mais seguro lhe parecia o monástico. Acreditava que, sendo um sacerdote, as boas obras e a confissão seriam as respostas para suas necessidades, almejadas desde a infância. Mas não bastava.

Embora tentasse ser um monge perfeito - repentinamente castigava seu corpo, a conselho de seu superior - tinha consciência de sua pecaminosidade e cada vez, por isso, tratava de sobrepor-se a ela. Porém, quanto mais lutava contra esse sentimento, mais se apercebia de que o pecado era muito mais poderoso do que ele.

Frente a essa situação desesperadora, o seu conselheiro espiritual recomendou que lesse as obras dos místicos, mas não adiantou; então, foi proposto que se preparasse para dirigir cursos sobre as Escrituras na Universidade de Wittenberg.

A grande descoberta

É certo que, quando se viu obrigado a preparar conferências sobre a Bíblia, Lutero começou a ver nelas uma possível resposta para suas angústias. Em 1513, começou a dar aulas sobre Salmos, os quais interpretava cristologicamente. Neles, era Cristo quem falava. E assim, viu Cristo passando pelas angústias semelhantes às que passava. Esse foi o princípio de sua grande descoberta, que aconteceu provavelmente em 1515, quando começou a dar conferências sobre a Epístola aos Romanos. Lutero confessou que encontrou resposta para as suas dificuldades, no primeiro capítulo dessa Epístola.

Essa resposta, no entanto, não veio facilmente. Não ocorreu de um dia para outro. A grande descoberta foi precedida por uma grande luta e uma amarga angústia. O texto básico é Romanos 1.17, no qual é dito que o Evangelho é a revelação da justiça de Deus, e era precisamente essa justiça que Lutero não podia tolerar e dizia que odiava a frase 'justiça de Deus'. Nela, esteve meditando dia e noite para compreender a relação entre as duas partes do versículo que diz 'a justiça de Deus se revela no evangelho', e conclui dizendo que 'o justo viverá pela fé'.

O protesto

A resposta foi surpreendente. Lutero concluiu que a justiça de Deus, em Romanos 1.17. não se refere ao fato de que Deus castigue os pecadores, mas ao fato de que a justiça do justo não é obra sua, mas dom de Deus. Portanto, a justiça de Deus só tem quem vive pela fé: não porque seja em si mesmo justo ou porque Deus lhe dê esse dom, mas por causa da misericórdia de Deus que, gratuitamente, justifica o pecador desde que este creia.

A partir dessa descoberta, a justiça de Deus não passou mais a ser odiada; agora, ela tornou-se em uma frase doce para sua vida. Em conseqüência as Escrituras passaram a ter um novo sentido para ele. Inconformado com a Igreja Católica, Lutero compôs algumas teses, que deveriam servir como base para um debate acadêmico.

Naquele período, teve início, por ordem do papa Leão X, a venda de indulgências por Tetzel, através da qual o portador tinha a garantia de sua salvação. Não concordando com a exploração de seus compatriotas, Lutero fixou suas famosas 95 teses na porta da Igreja (local utilizado para colocar informações da universidade) do Castelo de Wittenberg.

As teses foram escritas acaloradamente com sentimento de indignação profunda, mas com todo o respaldo Bíblico. E além do mais. ao atacar a venda de indulgências, colocava em perigo os projetos dos exploradores, dentre eles, a ganância do papa Leão X em arrecadar dinheiro suficiente para terminar a construção da Basílica de São Pedro. Os impressos despertaram o povo e produziram um sentimento de patriotismo, o que facilitou a Reforma na Alemanha.

A importância de Lutero para o protestantismo moderno não deve ser esquecida. Foi ele quem teve mais sucesso na investida contra Roma. Foi ele o grande bandeirante da volta às Escrituras como regra de fé e prática. Foi um dos poucos homens que alterou profundamente a História do mundo. Através do seu exemplo, outras pessoas seguiram o caminho da Reforma em seus próprios países, e em poucos anos quase toda a Europa havia sido varrida pelos ventos reformadores.

Lutero foi responsável por três pontos básicos do protestantismo atual: a supremacia das Escrituras sobre a tradição; a supremacia da fé sobre as obras; e a supremacia do sacerdócio de cada cristão sobre o sacerdócio exclusivo de um líder. Humanamente falando, deve-se a Lutero um retomo à leitura da Bíblia.

A Contra-Reforma e os jesuítas

Lutero teve de enfrentar o tremendo poderio da Igreja Católica que, imediatamente organizou a Companhia de Jesus (jesuítas) para atacar a Reforma. Vide o juramento dos jesuítas (livro Congregacional de Relatórios, página 3.362) que em resumo, diz: 'Prometo na presença de Deus e da Virgem Maria e de ti meu pai espiritual, superior da Ordem Geral dos Jesuítas... e pelas entranhas da Santíssima Virgem defender a doutrina contra os usurpadores protestantes, liberais e maçons sem hesitar. Prometo e declaro que farei e ensinarei a guerra lenta e secreta contra os hereges... tudo farei para extirpá-los da face da terra, não pouparei idade, nem sexo, nem cor... farei arruinar, extirpar, estrangular e queimar vivo esses hereges. Farei arrancar seus estômagos e o ventre de suas mulheres e esmagarei a cabeça de suas crianças contra a parede a fim de extirpar a raça.

Quando não puder fazer isso publicamente usarei o veneno, a corda de estrangular, o laço, o punhal e a bala e chumbo. Com este punhal molhado no meu sangue farei minha rubrica como testemunho! Se eu for falso ou perjuro, podem meus irmãos, os Soldados do Papa cortar mãos e pés, e minha garganta; minha barriga seja aberta e queimada com enxofre e que minha alma seja torturada pelos demônios para sempre no inferno!'

Preocupada em conter o avanço dessas ideias, a igreja Romana iniciou através do Tribunal da Santa Inquisição a perseguição mais infame e sangrenta da história, onde, no caso da França, numa única noite, chamada de 'Noite de São Bartolomeu', três mil protestantes foram assassinados e seus corpos jogados nas ruas francesas, com as bênçãos católicas. Muitos jesuítas, tais quais espiões, levaram os ditos 'hereges' às mais variadas torturas, até a morte. Vozes Proféticas do PassadoPor: Christopher Walker

Não precisamos falar aqui sobre a importância de Lutero como profeta, no sentido de abrir um novo passo para a igreja no plano de Deus, restaurando a firme base de justificação pela fé, sem apoio algum em obras humanas. É bem conhecido também que tinha um 'temperamento profético', e que costumava expor os pecados e erros de pessoas, sistemas eclesiásticos e raças em termos nem um pouco diplomáticos ou conciliadores! Sabemos que nem todos os seus ataques eram uma representação fiel da justa ira de Deus, como quando falava contra anabatistas e judeus, e até os perseguia.

Lutero cria fortemente no poder de Deus através da palavra pregada. A seguir, algumas de suas afirmações sobre a pregação:
'A pregação do evangelho é um meio, como se fosse um tubo, pelo qual o Espírito Santo flui e entra nos nossos corações.'
'A palavra proclamada é o veículo do Espírito Santo.'
'A voz é do ministro, mas meu Deus está falando a palavra que ele prega.'
'O sermão faz parte de uma guerra cósmica pelas vidas das pessoas. É uma espécie de acontecimento apocalíptico, que coloca a vida da pessoa em movimento - ou na direção do céu ou do inferno. Ninguém pode ouvir em fria apatia.'
'Quando elaboro um sermão, elaboro uma antítese. Deus e Satanás estão lutando nas mentes. É a luta entre o Deus que os homens buscam através de razão e especulação humana, e o Deus que se revela na Palavra por meio de Jesus. A razão separada de Deus é a meretriz do diabo.'
'O conteúdo da pregação não deve ser de sutilezas filosóficas, mas a promessa que gera confiança.'
'A pregação do evangelho nada mais é do que Cristo chegando a nós, ou de nós sendo levados a ele.' 'Nada além de Cristo deve ser pregado.'
'A realidade do Deus a quem nos devemos curvar em fé é realmente muito simples.'
'Ninguém deve pensar que é tão sábio ou tão espiritual que pode desprezar ou perder o mais insignificante sermão, pois não sabe qual a hora em que Deus fará sua obra nele.'

A leitura de seus sermões, com certeza, nos fará sentir a unção verdadeira que trazia, tanto em falar fortemente contra a confiança em obras humanas, como em advertir a igreja e a sociedade sobre o juízo vindouro de Deus. A seguir, dois trechos extraídos de suas pregações:
Trecho do Sermão: 'Inimigos da Cruz de Cristo', onde Lutero mostra que os maiores inimigos são aqueles que mais confiam em suas próprias obras.
'Pois muitos andam entre nós, dos quais repetidas vezes eu vos dizia e agora vos digo até chorando que são inimigos da cruz de Cristo' (Fp 3.18).

Parece inacreditável, e eu mesmo não acreditaria nisto nem compreenderia as palavras de Paulo, se não tivesse testemunhado com meus próprios olhos e experimentado pessoalmente. Se o apóstolo repetisse a acusação hoje, quem imaginaria que as pessoas mais nobres entre nós, as mais respeitáveis, piedosas e santas, aquelas que esperaríamos, acima de todas as outras, que aceitassem a Palavra de Deus - que estas pessoas, digo, fossem inimigas da doutrina cristã? Mas os exemplos diante de nós testificam claramente que os 'inimigos' a quem o apóstolo se refere só podem ser os indivíduos conhecidos como dignos e piedosos nobres e príncipes, cidadãos honrados, pessoas cultas, sábias e inteligentes. Pois se estes pudessem devorar, com uma só mordida, aqueles que são conhecidos como 'evangélicos', certamente o fariam.

Se você perguntar: 'De onde tal disposição contrária?', responderei que procede naturalmente da justiça humana. Pois todo indivíduo que professa justiça humana, e não conhece nada de Cristo, mantém a eficácia de suas próprias obras diante de Deus. Ele confia nisto e se satisfaz assim, presumindo desta forma apresentar uma aparência louvável aos olhos de Deus e tornar-se especialmente aceitável a ele. Deixando de ser soberbo e arrogante para com Deus, passa a rejeitar aqueles que não são justos segundo a lei, conforme ilustrado no exemplo do fariseu (Lc 18.11,12). Entretanto, maior se torna sua aversão e mais amarga sua ira em relação à pregação que ousa censurar a justiça que vem pela lei e que afirma sua inutilidade para obter a graça de Deus e a vida eterna.

Eu mesmo, e outros comigo, éramos dominados por tais sentimentos quando, sob a igreja de Roma, afirmávamos ser santos e piedosos. Se, há trinta anos, quando eu era um monge devoto e santo, celebrando a missa todos os dias e sem pensar outra coisa, senão que estava no caminho direto para o céu - se naquela época alguém me houvesse acusado - se houvesse pregado este texto e declarado que nossa justiça (que nem era estritamente de acordo com a lei de Deus e, sim, conforme a doutrina humana...) era ineficaz e que eu era um inimigo da cruz de Cristo, servindo aos meus próprios apetites sensuais - eu imediatamente teria pelo menos ajudado a encontrar pedras para levar à morte tal Estêvão ou a ajuntar lenha para queimar este tão blasfemo herege.

Assim sempre age a natureza humana. O mundo não pode se comportar de outra forma, quando vem a declaração do céu, dizendo: 'É verdade, você é um homem santo, um grande e erudito jurista, um regente de caráter, um príncipe digno, um cidadão honrado, e assim por diante - mas com toda sua autoridade e seu caráter reto você vai para o inferno; cada um de seus atos é ofensivo e condenado aos olhos de Deus. Se quiser ser salvo, precisa ser uma pessoa totalmente diferente; sua mente e seu coração precisam ser transformados.' Anuncie isso e o fogo se acende... pois os justos por obras próprias consideram uma idéia intolerável que vidas tão exemplares, tão dedicadas a vocações louváveis, sejam publicamente censuradas e condenadas pela pregação desagradável de um pequeno número de indivíduos insignificantes...Trecho do Sermão: 'Profecia da Destruição de Jerusalém' Lutero aqui aplica a profecia sobre a destruição de Jerusalém à situação da Alemanha, que estava com uma revolta de camponeses, onde cem mil pessoas já haviam morrido.

Há dois métodos de pregação contra aqueles que desprezam a Palavra de Deus. O primeiro é através de ameaças, como quando Cristo falou com as cidades que não se arrependeram: 'Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida!...' (Mt 11.21-24). Com isto, ele desejou chocá-las e trazê-las à realidade, para que não lançassem aos ventos as palavras que Deus lhes enviou.

O outro método é o que o Senhor usa em Lucas 19.41-44, onde chora e demonstra sua compaixão pelo pobre povo cego; aqui, ele os repreende e adverte, não como se fossem cegos obstinados e endurecidos, mas, derretendo-se em amor e compaixão por seus inimigos; junto com clamores e um profundo pesar que partia seu coração, ele revela o que lhes havia de suceder e que tanto queria impedir - porém, não podia! (...)

Primeiro, enquanto aproximava-se da cidade, o povo ia adiante e atrás dele com cânticos de grande alegria, dizendo: 'Hosana ao Filho de Davi!' Estendiam suas vestes pelo caminho e cortavam galhos das árvores, espalhando-os diante dele. Era uma cena muito gloriosa. Porém, no meio de todo este júbilo, ele começa a chorar. Deixou o mundo todo celebrar com regozijo, enquanto ele próprio se encurvava com pesar e tristeza. Contemplando a cidade, ele disse: 'Ah! Se conheceras por ti mesma ainda hoje o que é devido à paz! Mas isto está agora oculto aos teus olhos' (Lc 19.41). (...)

É como se dissesse à Jerusalém: 'Aqui está, solidamente edificada, com homens fortes e valorosos no seu interior, que, sentindo-se seguros e contentes, pensam que não há perigo. Entretanto, em mais quarenta anos será totalmente destruída'. Isto ele disse claramente em Lucas 19.43,44: 'Teus inimigos te cercarão de trincheiras... e te arrasarão... Não deixarão em ti pedra sobre pedra, porque não reconheceste a oportunidade da tua visitação'.

Mas os judeus foram obstinados e dependiam das promessas de Deus, que pensavam significar simplesmente que permaneceriam para sempre. Eram seguros e pensavam inutilmente: 'Deus não faria tal coisa a nós. Temos o templo; aqui o próprio Deus habita; além disso, temos homens valorosos, dinheiro e tesouros suficientes para desafiar todos nossos inimigos!' (...) Assim, confiavam em sua própria glória e edificavam sua confiança numa falsa ilusão, que no fim os enganou. (...)

Assim os judeus foram espalhados pelo mundo inteiro e desprezados como o povo mais vil sobre a face da terra... sem uma cidade ou país próprios... Desta forma, Deus vingou a morte de Cristo e de todos seus profetas, porque não reconheceram o dia da sua visitação.

Aqui devemos aprender uma lição, pois isto afeta a todos nós, não só aos que estão aqui presentes, mas a todo o país da Alemanha. (...) Deus também nos visitou agora e abriu os preciosos tesouros do seu santo evangelho para nós, pelos quais podemos aprender a vontade de Deus e ver como éramos dominados pelo poder do diabo. Entretanto, ninguém acredita seriamente nisto, antes, ainda mais o desprezamos e o tratamos levianamente. (...)

Deveríamos perceber que Deus está permitindo o nosso endurecimento. (...) Receio que o tempo virá quando a Alemanha será um montão de ruínas. Os ventos do mal já começaram a trazer destruição através da nossa guerra de camponeses. Já perdemos muitas pessoas. Quase cem mil homens, só entre a Páscoa e o Pentecostes! É uma obra terrível que Deus tem feito, e temo que não parará aí. Este foi apenas um prenúncio, uma advertência, para nos assustar a fim de que pudéssemos nos preparar para a angústia vindoura. (...)

Mas permitimos que um dia após outro passe, um ano depois do outro, e fazemos menos ainda que antes. Ninguém ora agora, ninguém está em apuros. Quando o tempo tiver passado, orações não terão mais eficácia. Não levamos a sério, achamos que estamos seguros; não vemos a horrível calamidade que já começou e não percebemos que Deus nos pune de forma tão severa através de falsos profetas e seitas, que estão por toda parte e que pregam com tanta segurança como se fossem a própria encarnação do Espírito Santo.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Luiz Alsioni

Luiz Alsioni, o homem que sofreu uma queimadura, pois tomou um banho de plástico derretido a aproximadamente 450ºC na face. Mais abaixo estão os vídeos em que ele detalha o que aconteceu em sua vida para que isto ocorresse e como o Senhor Jesus o restaurou desta enfermidade que para os médicos não tinha mais cura, ou seja, ele iria ficar com seu rosto deformado para o resto da vida e como a queimadura foi na face, comprometeria os órgãos do sentido. Porém, como já disse, para Honra e Glória do Senhor, Jesus o restaurou totalmente. Assista as 7 partes do testemunho de Luiz Alsioni, com certeza a sua fé será edificada.
Parte 01

Parte 02

Parte 03

Parte 04

Parte 05

Parte 06

Parte 07

 
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