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quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Carta à Igreja de Tiatira (Ap 2.18-29)


18. “E ao anjo da igreja de Tiatira escreve: Isto diz o Filho de Deus, que tem seus olhos como chama de fogo, e os pés semelhantes ao latão reluzente”.

I. “...Ao anjo da igreja”. Não temos notícia acurada sobre quem foi este “anjo” (pastor), a não ser aquilo que se depreende do presente texto. Lídia, vendedora de púrpura, e convertida por Paulo, era dessa cidade (At 16.14). Da conversão de Lídia, que se deu provavelmente no ano 53 d. C. à carta dedicada ao anjo da “igreja de Tiatira”: em 96 d. C., corre um lapso de tempo de 33 anos. Podemos deduzir, ainda que improvável terem sido Lídia e seu esposo, os grandes instrumentos usados por Deus, par o início de formação daquela igreja: talvez um de seus filhos seja o “anjo” (pastor) do texto em foco (cf. At 16.15).

1. TIATIRA. O nome significa “Sacrifício de trabalho”. Situação Geográfica: A cidade de Tiatira se encrava no pequeno Continente da Ásia Menor. “No fértil vale do rio Lico, acerca de 59 quilômetros a sudeste de Pérgamo, na estrada que ia para Sardes, ficava a pequena mas crescente e rica Tiatira, colônia macedônica, fundada por Alexandre Magno, depois da destruição do Império Persa. Na literatura secular, são encontradas muitas alusões ao comércio de tecidos de púrpura manufaturados em Tiatira, dos quais Lídia era vendedora. Esta carta, à então próspera igreja, foi mais longa em conteúdo de todas as cartas do Apocalipse. Maior, porém, é a mensagem nela contida e também das mais severas”.

19. “Eu conheço as tuas obras, e a tua caridade, e o teu serviço, e a tua fé, e a tua paciência, e que as tuas últimas obras são mais do que as primeiras”.

I. “...As tuas obras”. Quando à conduta das igrejas, Cristo primeiro menciona Aquilo que pode elogiar. “Sei quais são as tuas obras” – diz Ele. Tais obras são mencionadas onze vezes neste livro. O leitor deve observar o contraste entre as “obras” da igreja de Éfeso (2.5), e as “obras” da igreja de Tiatira: enquanto naquela as “últimas obras eram menores que as primeiras”, nesta pelo contrário; as “últimas obras são mais do que as primeiras”. O substantivo grego, que nossas versões do Novo Testamento traduzem por “obras”, com maior precisão que a palavra portuguesa comporta duas acepções: o resultado de uma atividade (sentido habitual do termo em português); e também: a atividade em si mesma (significado que, aliás, sob a influência do latim teológico, passou para o português), limitando-se às atividades morais. No presente texto: são obras de caridade feitas em favor de Cristo, durante essa dispensação da graça (Ap 22.12).

1. A tua caridade. (Amor). O Senhor Jesus também louvou esta igreja (usamos aqui uma metonímia: figura que consiste em tomar a parte pelo todo e vice-versa; o geral pelo particular e o particular pelo geral) pelo seu amor. A palavra “amor” encontra-se em toda a extensão da Bíblia, que descreve o seu caráter multiforme:

(a) “Há o amor de Deus, isto é, o amor de Deus tem dispensado pelos homens. Essa é a fonte de todo amor, o que é comentado em (Jo 3.16 e ss), como poemas ilustrativos, relacionando-se como um supremo sacrifício.

(b) Há o amor de Cristo cuja natureza é igual a do amor de Deus, e que comentado em (2Co 5.14). Trata-se de uma força que nos constrange, que também nos leva a amar e a servir ao próximo, em honra ao Senhor. Esse foi o amor que motivou a expiação e a missão terrena, em geral, de Cristo.

(c) Há o amor do homem a Deus e a Jesus Cristo. Essa modalidade pode ser expressa diretamente, mediante a subida mística da alma, em fazer tanto o bem a Deus como ao próximo.

(d) Há o amor próprio (cf. Mt 22.39 e Ef 5.29). Trata-se de uma condição patológica em que um indivíduo tudo faz ou realiza só em torno de si mesmo, visando ao seu próprio conforto. Ele torna-se por natureza um “amante de si mesmo” (2Tm 3.2 e ss).

(e) Há também o amor de um ser humano por outro, ou pela humanidade. É a transferência dos cuidados que temos por nós mesmos para nossos semelhantes”.

20. “Mas tenho contra ti que toleras Jezabel, mulher que se diz profetisa. Ensinar e enganar os meus servos, para que se prostituam e comam dos sacrifícios da idolatria”.

I. “...Jezabel”. a palavra “Jezabel” significa: “Montão de lixo”. Na opinião de alguns eruditos: “Casta”. Aparece pela primeira vez nas Escrituras como pessoal de uma princesa. Ela tinha crescido em Tiro, na cidade portuária fenícia. Seu pai, rei Etbaal, era também sacerdote de Astarote e sacrificava a Baal (1 RS 16.31) e, por conseguinte, tornou-se esposa de Acabe, rei de Israel. Esta ferina rainha tombou morta no vale de Armagedom (2 Rs 9.15, 16, 30, 37).

1. Mulher que se diz profetisa. Há muitas opiniões a respeito da “audaciosa mulher” da igreja de Tiatira; alguns até já defenderam tratar-se de uma “doutrina”, ou mesmo de uma “religião” e não de uma pessoa. A Jezabel do Antigo Testamento, é citada como o protótipo de pecado. A Jezabel do presente texto, trata-se de uma pessoa e não apenas uma figura ou personificação do mal. A passagem fala claramente de uma pessoa, pelo uso do pronome (“ela”). V.22. “No inglês, o pronome é her” usado somente para pessoa. Deve-se ter isto em mente para compreensão do significado do pensamento, pois em português, “ela” é usado tanto para pessoas, animais ou coisas”. Em alguns manuscritos antigos é acrescentado a palavra grega “SOU” (isto é tua), antes da palavra “mulher” ficando assim o texto na sua íntegra: “Mas tenho contra ti (pastor) que toleras Jezabel, (tua mulher?) que se diz profetisa”. O Dr. Carroll, op. Cit., vol. Sobre o Apocalipse, aceita esta posição: “Tratava-se da mulher do pastor, por parecer no original a palavra “y u v n”, que pode significar esposa; isto se dá muitas vezes em o Novo Testamento”. Não sabemos se isso é o verdadeiro sentido do presente texto, mas pode ser (cf. 1 Rs 21.25): As Escrituras são proféticas e se combinam entre si em cada detalhe.

21. “E dei-lhe tempo para que se arrependesse da sua prostituição; e não se arrependeu”.

I. “...da sua prostituição”. Tratava-se tanto de prática imorais pessoais, como parte do culto da seita gnóstica. Era algo tanto espiritual como físico. No campo histórico da Igreja da Idade Média teve grande semelhança com a igreja de Tiatira. “Foi nesta época que uma cópia do paganismo de Tiatira foi introduzido na igreja e sobre tudo, no campo comercial, sob a forma de imagens, em profusão, surgido por uma forte representação feminina pela introdução do culto de Maria, a mariolatria e com o desvirtuamento do merecido respeito e admiração à pessoa da virtuosa mãe de Jesus. Maria passou a ser co-redentora. Cristo deixou, também, de ser único Mediador entre Deus e os homens”, no pensamento deles. Outrossim, aquela gente “resolveu” na sua vontade que não se arrependeria. O grego subentende o exercício deliberado da vontade “Cintra” o arrependimento, e não a seu favor.

22. “Eis que porei numa cama, e sobre os que adulteram com ela virá grande tribulação, se não se arrependerem das suas obras”.

I. “Eis que a porei numa cama”. O comentador Charles declara que as expressões: “cama e tribulação” nesta passagem expressam a mesma idéia. Além disso, supõe que porei numa cama equivale no grego hodierno a “infligir uma enfermidade” (cf. Êx 21.18), e que aquela primeira expressão é o hebraico especificado por trás do grego. Jezabel teve como paga de seu engano e prostituição “um leito de pestilência”. O resultado de tudo isso foi a morte (Rm 6.23). A ameaça de Deus é terrível, porém corresponde à enormidade do pecado de Jezabel e seus adeptos. Alguns teólogos acham que, a expressão “...ferirei de morte” a seus filhos vista no versículo 23, quer dizer: “ferirei da segunda morte: o lago de fogo”. Não eram filhos de Deus mas da semente iníqua, gerada do engano e como tais, estavam candidatos tanto a primeira como a segunda. Seja como for, o pecado tem consigo a pena aqui e na eternidade!

23. “E ferirei de morte a seus filhos, e todas as igrejas saberão que eu sou aquele que sonda os rins e os corações. E darei a cada um de vós segundo as vossas obras.”

I. “...os rins e os corações. O Salmista Davi cerca de 1.000 a.C. orava da seguinte forma: “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração...” (cf. sl 139.23a), e o Apóstolo Paulo declara: “...aquele que examina os corações sabe...” (Rm 8.27).

1. Analisemos dois pontos focais no presente versículo: (a) Os rins (b) Os corações:

(aa) Os rins. A palavra grega “nephros”, é traduzido por “rins” em nossas versões. Os hebreus e até escritores sagrados pensavam que os “rins” seriam a sede das emoções e dos afetos (Jr 12.2). No presente texto, denota também, uma sondagem cuidadosa, da idéia de seguir os passos, com a ação resultante, causada por aquilo que foi descoberto. Mui provavelmente, nela envolve a memória do que diz Jeremias 11.20 onde Deus é visto como aquilo que testa (determina a natureza verdadeira), o coração e a mente do seu povo. Numa figura de retórica, isso demonstra, que os juízos que se seguirão, pois, serão justos e completos, em nada falhos, porquanto repousam sobre total discernimento e informação.

(bb) Os corações. Quanto a isso, analisemos aqui, dois pontos de suma importância:

(aaa) Tanto as Escrituras, como a própria ciência, dizem que o coração é o centro de uma coisa. O vocábulo ocorre por 820 vezes na Bíblia. Vem de uma raiz hebraica: “l~ebh ou l~ebhabh”, sendo bem possível, que a raiz do termo hebraico, que é obscuro, signifique “centro”. O termo denota vários significado e aplicações: Às vezes é apenas um órgão físico do corpo humano. As referências ao órgão físico assim chamado são poucas e de modo algum especificadas. Dentre as mais claras é a de (1 Sm 25.37). “Pesa em média apenas 250 gramas e não é maior que o punho fechado de seu possuidor. Bate cem mil vezes por dia e, no espaço de uma vida, é capaz de bombear sangue suficiente para encher 13 milhões de barris. O homem ainda não criou uma máquina mais perfeita que o coração...

(bbb) No contexto teólogo, pode também significar a mente (Êx 35.35 e Dt 29.4). O Dr. Wheeler Robinson oferece a seguinte e ótima classificação dos vários sentidos em que podem ser usadas as palavras hebraicas “l~ebh e l~ebhãbn”. Ad. A: físico ou figurado (“meio”, 29 vezes). Dependendo do contexto que se depreende das Escrituras: Ad. B: Personalidade, vida íntima, ou caráter geral (257 vezes; exemplos: Êx 9.14 e 1Sm 16.7; comparado a Gn 20.5): Ad. c. Estados emotivos de consciência, encontrados em grande GAMA de variedade (166 vezes); intoxicação (1Sm 25.36); alegria ou tristeza (cf. Gn 42.28); amor (2Sm 14.1, etc): Ad. d: Atividades intelectual (204 vezes); atenção (Êx 7.23); entendimento (1Rs 3.9); habilidade técnica-sábio de coração (Êx 28.3): Ad. e: Volição ou propósito (195 vezes; 1Sm 2.35), sendo esses um dos empregos mais característicos do termo no Antigo Testamento. “Mente” é, talvez, o mais próximo tempo moderno daquilo que no uso bíblico é denominado “coração”. No presente texto do Apocalipse, o termo é usado para significar: “a natureza suprema do homem” (sinônimo de espírito ou da alma).

24. “Mas eu vos digo, e aos restantes que estão em Tiatira, a todos quantos não têm esta doutrina, e não conheceram, como dizem, as profundezas de Satanás, que outra carga vos não porei”.

I. “...As profundezas de Satanás”. Os mestres gnósticos atribuíram à sua doutrina o caráter de “profundidade”, e a “mulher Jezabel” invocava para sua doutrina o mesmo sentido. De acordo com a expressão “profetisa” encontrada no versículo vigésimo deste capítulo, esta senhora, Jezabel, era portadora de uma “teomania aguda”: espécie de loucura, em que o doente se julga Deus ou por ele inspirado.

1. Na igreja de Tiatira existia dois grupos distintos: (a) Os cristãos verdadeiros; (b) Os que se gloriavam de conhecer “as profundezas de Satanás”. Paulo encontrou quatro grupos na igreja de Corinto. Porém é evidente que aqueles eram crentes em Jesus; o grupo de Jezabel não (cf. 1Co 1.12). Ad. a: Os legalistas: o herói deles era Pedro: Ad. b: Os intelectuais e filósofos: o herói deles era Apolo. Ad. c: Os liberais: o herói deles era Paulo. Ad. d: Os cristãos: o herói deles era Cristo (1Co 1.12; 3.4 e ss). Os diversos grupos mencionados neste versículo, podem ser também visto assim: Ad. aa: O partido judaizante (os seguidores de Pedro). Ad. bb: O partido dos intelectuais: (os seguidores de Apolo). Ad. cc: O partido da liberdade (os seguidores de Paulo). Ad. dd: O partido dos exclusivistas (aqueles que diziam: “sou de Cristo”).

25. “Mas o que tendes retende-o até que eu venha”.

I. “...O que tendes retende-o”. esta expressão “retende-o” vem do verbo “reter”, e tem no original, o sentido de “guardar”, “conservar”, etc. Deve ser aplicado no sentido de “guardar” aquilo que é precioso como: A palavra de Deus. Sl 119.11; Os mandamentos da lei divina. Mt. 19.17; A fé. 2 Tm 4.8, etc. Note muito bem, este versículo, voltemos a ele. É o que diz a senhora M. S. Novah: Deste versículo, aparentemente sem comentário podemos dizer que nos prova a veracidade de que as cartas não foram escritas somente para os crentes do tempo de João, o Apóstolo; pois aqueles fiéis, há muito, que já morreram e o versículo 25 diz: “O que tendes retende-o ATÉ que eu venha”. É o divino convite. É o apelo de Cristo. As últimas cartas do Apocalipse (dentre um total de sete), todas possuem características da Igreja cristã dos “últimos tempos”; portanto, todas elas, de alguma maneira, lançam olhos para o fim de nossa era, ou seja, para a vinda de Jesus (1 Ts 4.13-17).

26. “E ao que vencer, e guardar até ao fim as minhas obras, eu lhe darei poder sobre as nações”.

I. “...poder sobre as nações”. O texto em foco, lembra-nos o Salmo segundo onde lemos: “Pede-me, e eu darei as nações por herança, e os fins da terra por tua possessão” (v. 8). Essa é uma promessa relativa ao Milênio, estando associada a Ap 2.4, 6. O reino que foi rejeitado pelos judeus, ainda será realizado e será inaugurado quando da segunda vinda (parousia) de Cristo. A promessa é que o crente, terá posição de poder naquele reino: os mansos herdarão a terra. As “obras” mencionadas neste versículo são obras de Cristo e não as nossas, porquanto, o crente, as cumpre em seu nome, mediante o impulso dado por Ele. As “obras” de Cristo fazem contraste com as “obras” de Jezabel, aludidas no versículo 22 deste capítulo. As dela, são repugnantes; as de Cristo, são desejadas!.

27. “E com vara de ferro as regerá: e serão quebradas como vasos de oleiro; como também recebi de meu Pai”.

I. “...e serão quebradas como vasos...”. O presente versículo fala do governo milenial de Cristo sobre a terra (Ap 20.1 e ss), quando as nações serão “regidas com vara de ferro”. Isso não quer dizer um reino ou governo de extrema “dureza”, mas, sim, um método inquebrantável (Sl 2.8-9; Ap 12.5). Naturalmente, o texto não limita esse governo aos mártires, embora, em outros contextos, estejam eles especialmente em mira, por terem sido mortos pelo Anticristo, cuja vitória será total e completamente revertida. O fato de os mártires retornarem para governar a terra onde foram tratados com o opróbrio, é a reversão dos crimes do Anticristo, o homem do pecado (2Ts 2.3; Ap 20.4). A interpretação geral, neste versículo, é que segundo as promessas de Cristo, que este poder “sobre as nações” será extensivo aos mártires e aos santos de todos os tempos: a garantia é para “o que vencer” (cf. 2.7, 11, 17, 26; 3.5, 12, 21).

28. “E dar-lhe-ei a estrela da manhã”.

I. ‘...a estrela da manhã”. Para os ímpios: Jesus é a “luz do mundo” (Jo 1.9; 8.12); para Israel: Ele é “O Sol da Justiça” (Ml 4.2); para sua Igreja: Ele é “a resplandecente Estrela da Manhã” (Ap 22.16). Seja como for, Cristo é “tudo em todos”. Este será um títulos que trará o Filho de Deus no dia de sua vinda para o arrebatamento. Em Ap 22.16, o próprio Cristo é identificado como “A resplandecente estrela da manhã”. Não pode haver dúvida razoável, pois, que Ele também é aquela figura central. Para os antigos povos, a estrela da tarde (ou vespertina) simbolizava a morte, mas a estrela da manhã simbolizava a vida que é o próprio Cristo. Ao vencedor, Jesus promete dar-lhe a estrela da manhã. Isto é, Ele mesmo! Nos Evangelhos ele deu-se por todos os pecadores. Agora Ele promete dar-se novamente, porém apenas ao vencedor!. Essas palavras de Cristo, têm seu fundo histórico nas palavras de Dn 12.3, onde diz que os próprios justos ...refulgirão como as estrelas...”. O sentido é que os crentes entrarão na glória celeste e serão glorificados com o resplendor do mundo vindouro de Deus (1 Jo 3.2, etc).

29. “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas”.

I. “...o que o Espírito diz...”. O leitor deve observar que essa é uma expressão que figura em todas as cartas do Apocalipse, chamando a atenção dos leitores para a solene necessidade de darem atenção às palavras inseridas neste livro. “A mulher Jezabel e seus filhos prosseguirão tal como são, mas o “resto”, o remanescente, ouvirá” (newll). Cristo, e que seja ela uma influência poderosa o nosso coração e sobre a nossa vida”. Possuímos discernimento “espiritual” e a sensibilidade necessária para “dar ouvidos” ao que foi dito? “...se ouvirdes hoje a sua voz (como diz o Espírito Santo), não endureçais os vossos corações” (Hb 3.7-8). Esses são os “ouvidos” de que precisamos. Se os temos, então, que os usemos!!!.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

A Cura de Deus para uma Família em Crise

I) DEZ SINTOMAS QUE REVELAM UMA FAMÍLIA DOENTE.
1. Quando na família impera a lei da selva.
É a lei do maior forte, do mais esperto, do mais perspicaz.
2. Quando a família é dominada pela lei do descaso.
Esta é a lei do menor esforço, pessoas que perdem a oportunidade de ser uma bênção. A grande questão aqui não é fazer o mal, mas sim deixar de fazer o bem.
3. Quando a família é dirigida pela lei do mau exemplo.
4. Quando os canais de comunicação estão bloqueados, por falta de liberação de perdão.
5. Quando um tranfere para o outro culpa e responsabilidade.
6. Quando ninguém assume o seu papel.
7. Quando se faz festa para os convidados mas não há festa no relacionamento familiar. A vida da família é de fachada, "faz de conta que somos".
8. Quando não há mais refeição com todos à mesa, porque a TV se tornou o centro das atenções.
9. Quando o lar passa a ser um lugar de verginha e não de glória.

II) O QUE É NECESSÁRIO PARA QUE DEUS CURE ESSA FAMÍLIA. (2 Cr 7.14)
1. A cura vem quando estruturas de orgulho são confrontadas.
2. A cura vem quando restauramos o altar da oração em casa.
3. A cura vem quando nos convertemos dos maus caminhos.
4. A cura vem quando há arrependimento.
5. A cura vem quando liberamos e pedimos perdão.

III) O QUE ACONTECE QUANDO A FAMÍLIA É CURADA.
1. A casa se torna o lugar da manifestação da glória de Deus.
2. A casa se torna uma central terapêutica do amor, um santuário emocional.
3. A casa se torna "terra santa".
4. A casa se torna lugar de benção.
5. A casa se torna um lugar de transformação e cura.

Pr. Josué Gonçalves: www.familiaegraca.com.br

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

O Poder Curador do Perdão (Gn 37-50)

Nenhuma outra história no Antigo Testamento nos ensina mais sobre "O poder curador do perdão" do que a de José, filho de Jacó com Raquel. Em José, vemos a trajetória de um homem que tinha tudo para se deixar destruir por um sentimento de amargura, mas ele fez a melhor escolha...
· Em Gn 37.4 - Ele era odiado pelos seus irmãos por ser o filho preferido do pai.
· Em Gn 37.24 - Movidos pelo ódio e pela inveja, os irmãos o lançaram em uma cisterna com a intenção de matá-lo.
· Em Gn 37. 28 - Eles desistem de matá-lo e resolvem vendê-lo como escravo para uma caravana de israelitas.
· Em Gn 39.1 - Potifiar compra José dos Ismaelitas.
· Em Gn 39.6 - Ele é promovido à Gerente, Supervisor na casa de Potifar.
· Em Gn 39.7-20 - José é tentado, foge do pecado, mas é caluniado pela mulher de Potifar indo parar no cárcere pagando por uma coisa que não fez.
· Em Gn 40.9-23 - Ele interpreta o sonho do padeiro e do copeiro do rei e diz, lembra-te de mim quando voltares a ser o rei, me ajude a sair daqui (v.14) mas o copeiro se esqueceu dele (v.23).
· No cap 41 - José é chamado para interpretar o sonho de Faraó e ao dar a interpretação e aconselhar o rei ele é escolhido e promovida a Governador do Egito.
· Do cap 42 ao 50 - José tem seus irmãosn na mão para se vingar, dar o troco, acertar as contas, mas ele prefere Perdoar, pagar o mal com bem, agir com graça...
· Quando Jacó morreu, os irmãos de José pensaram, agora ele vai se vingar e será o nosso fim. O que José respondeu, vocês estão perdoados (v. 19-21).
· Por que José preferiu perdoar o pai, os irmãos, a esposa de Potifar que o caluniou, o amigo de prisão que o esqueceu? Quando paramos para refletir sobre o perdão, algumas perguntas devem provocar uma reflexão mais abrangente sobre este assunto:

· É fácil perdoar?
A mãe de João Hélio, Sra. Rosa. No dia 7 de fevereiro de 2007, quando ela voltava para casa com os dois filhos, ao parar o carro em um semafaro quatro elementos assaltaram o carro, não houve tempo de tirar o João que ficou pendurado no cinto de segurança, e foi arrastado 7 Km. O menino morreu da forma mais brutal possível. É fácil para esta mãe perdoar os assassinos?
Após ministrar sobre perdão em Brasilia, uma jovem esposa se aproximou chorando e disse: "Pastor, eu não consigo perdoar os homens que mataram meu marido". Uma mãe me disse, eu não consigo perdoar o homem que estuprou minha filha dentro da minha própria casa.

· O que é perdão?
· Há possibilidade de conviver sem perdoar?
· Qual o limite do perdão? Até aonde eu devo perdoar?
· Será que perdoar é esquecer o que aconteceu?
· Será que perdoar é fazer de conta que não houve nada?
· O perdão é uma emoção ou uma decisão?
· O que aconteceria se José não perdoasse?
A resposta para estas perguntas pode ser a resposta que você está precisando hoje.
· Philip Yancey em seu livro "Maravilhosa Graça" diz: "O perdão é a única alternativa que pode deter o ciclo do ódio, da culpa e da dor".
· José tinha mente larga, pele grossa e coração mole. Se ele fosse hiper sensível, sua história seria marcada pela insignificância. Ele não teria chegado onde chegou.

· O que é perdão? Como definir perdão? Definições sobre o que perdoar?
1. Perdoar é reconhecer que só Deus tem o direito de julgar. (Rm 12.19) José disse aos seus irmãos: "Porventura eu estou no lugar de Deus?".
2. Perdoar é desativar o mecanismo de violência que existe dentro e fora de nós.
3. Perdoar é reconhecer as próprias imperfeições falhas e pecados (Jo 8.7). "Por que os fariseus desistiram de apedrejar a mulher que foi pega em pleno ato de adultério?"
4. Perdoar é ser grato à Deus pelo perdão recebido.
5. Perdoar é repetir com o próximo o gesto de Deus para conosco.
6. Perdoar é oferecer amor quando não há motivo para amar. (O pai do filho pródigo".)
7. Perdoar é manter abertos os canais por onde fluem a confiança e o amor incondicional.
8. Perdoar é uma reação positiva para com a ofensa, ao invés de uma reação negativa contra o ofensor.
9. Perdoar é tomar a decisão de não levantar mais a ofensa perante três pessoas: 1) Deus, 2) os outros (inclusive o ofensor) 3) a si próprio.
10. Perdoar é semear misericórdia, graça e amor. A Bíblia diz: "Porque o juízo será sem misericórdia sobre aquele que não usou de misericórdia..." (Tg 2.13)
11. Perdoar é ter as emoções conquistadas. É ser capaz de amar o inimigo e perdoar os que nos perseguem (Mt 5.44).
12. Perdoar é deixar livre, soltar, libertar, despedir, mandar embora, atribuir favor incondicional àquele que nos feriu (Mt 18.27).
13. Perdoar é rasgar a conta. Em Gn 50.21 José disse aos seus irmãos, a conta foi rasgada, vocês não me devem nada".
14. Perdoar é jogar o lixo emocional fora.
O perdão é a virtude central do cristianismo. O perdão é a possibilidade da convivência.

·Por que não perdoar é perigoso? José sabia disso.
1.
A falta de perdão gera amargura e amargura prolongada causa efeitos físicos como: úlceras, pressão alta, descargas de adrenalina (por causa da associação com a ira).
2. A falta de perdão dá ao diabo uma reivindicação legal para deprimir a pessoa, e a depressão pode levar a morte, aos suicídio. O apostolo Paulo diz em 2 Co 2.10, "Eu perdôo para não ser vencido por satanás". Depressão, opressão e possessão.
3. Quem não perdoa desenvolve um câncer na alma (raiz de amargura Ef 4). O irmão do Filho Prodigo nunca entendeu o que é perdão.
4. Não perdoar prejudica o nosso relacionamento com Deus. Quem não perdoa anda nas trevas e Deus é luz (1 Jo 2.9).
5. Quem não perdoa se coloca debaixo da ira de Deus (Mt 18.34).
6. Quem não perdoa está impedido de ser perdoado por Deus (Mt 18.32-35).
7. Quem não perdoa alimenta espíritos malignos com sua mágoas, amarguras e ressentimentos (Ef 4.31,32).
8. Quem não perdoa destrói a ponte que um dia vai precisar para passar para o outro lado, disse o poeta inglês George Hebert.


Pr. Josué Gonçalves: www.familiaegraca.com.br

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Documentário - A Bíblia

Quem escreveu a Bíblia? Quando a mesma foi escrita? Será que a Bíblia é confiável? Por que devo crer nela?

As respostas para estas e outras perguntas você saberá através deste documentário. Assista-o e seja abençoado!

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"Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra"

(II Timóteo 3.16,17)

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Orar ao Espírito Santo é Bíblico?

"É lícito orar ao Espírito Santo?"
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O maior exemplo de como se deve orar está no ensino de Jesus a respeito desse im­portante ministério (Mt 6.7-15), onde está implícito que a oração deve ser feita ao Pai, a quem pertence o reino, o poder e a glória: "E sucedeu que, ouvindo eu estas palavras, assentei-me e chorei, e lamentei por alguns dias; e estive jejuando e orando perante o Deus dos céus", Ne 4.9; "Então virou Ezequias o seu rosto para a parede, e orou ao Senhor", Is 38.2; "orai pelos que vos perseguem", Mt 5.44. Até mesmo Je­sus dirigiu ao Pai as suas orações: Mt 26.33,42; Lc 22.42; Jo 17.1.
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Todavia, a oração, embora feita ao Pai, deve ser em nome de Jesus: "Se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei", Jo 14.14; "Porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles", Mt 18.20. Escritores eruditos concordam em que a oração deve ser feita a Deus Pai, em nome de Jesus.
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Para que se tenha certeza de que se está orando a Deus é necessário uma experiên­cia de suã proximidade, de sua atenção para com o que lhe pedimos. Há possibili­dade de estarmos orando sobre um assunto e pensando noutro. Nessa oração não há poder. Somente quando nos colocamos face a face com Deus, sentimos a virtude da sua presença.
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Orar direto e especificamente ao Espí­rito Santo não tem princípio bíblico, pois o Espírito Santo não toma para si a glória do que recebemos por meio de oração. Ele não fala de si mesmo, antes glorifica a Jesus: Jo 16.14. Logicamente, uma oração dirigi­da ao Espírito Santo não se justifica. Ve­mos, contudo, que nem sempre sabemos pedir o que nos convém e nem temos con­dições de chegar à presença de Deus. Neste sentido, é lícito esperarmos numa atuação voluntária do Espírito Santo a nosso favor: "Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza, porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis", Rm 8.26. Essa intercessão pode nos comunicar uma intensidade de oração que nos tornará agradáveis a Deus e capazes de alcançar a sua resposta.
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ALMEIDA, de Abraão et al. A Bíblia Responde. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembléias de Deus, 1983.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Refutando a Seita Adventista do 7° Dia

I. O SÁBADO OU O DOMINGO?
É possível alguém cumprir a Lei sem guardar o sábado? A resposta a esta pergunta é dada quando estudamos a vida e o mi­nistério terreno de nosso Senhor Jesus Cristo.
O Novo Testamento ratifica o que está escrito no Antigo Tes­tamento, que, ninguém jamais foi capaz de cumprir a lei na sua plenitude. A necessidade da encarnação de Cristo se constitui numa das mais evidentes provas da incapacidade do homem em cumprir a lei divina, por isso Ele mesmo disse: "Não penseis que vim revo­gar a lei ou os profetas: não vim para revogar, vim para cumprir. Porque em verdade vos digo: Até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais passará da lei, até que tudo se cumpra" (Mt 5.17,18).
Não poucas passagens do Antigo Testamento mostram a irritação divina diante do legalismo frio e morto dos judeus, apre­sentado através dos sacrifícios e sucessivas cerimônias feitas com o propósito de satisfazer a letra da Lei. Quanto mais tempo passa­va, mais imperfeito se manifestava o homem que buscava a perfei­ção através da prática da Lei. Porém, veio Jesus Cristo, o enviado de Deus, para cumprir a Lei em nosso lugar, o que fez coroando-a pelo ato da sua morte na cruz.

1.1. Jesus Violou o Sábado
Segundo a Bíblia, Jesus teve o seu nascimento prometido se­gundo a Lei (Dt 18.15); nasceu sob a Lei (Gl 4.4); foi circuncidado segundo a Lei (Lc 2.21); foi apresentado no templo segundo a Lei (Lc 2.22); ofereceu sacrifício no templo segundo a Lei (Lc 2.24); foi odiado segundo a Lei (Jo 15.25); foi morto segundo a Lei (Jo 19.7); viveu, morreu e ressuscitou segundo a Lei (Lc 24.44,46).
Apesar de Jesus haver cumprido toda a Lei, a respeito dEle se lê: "E os judeus perseguiam a Jesus, porque fazia estas coisas no sábado. Mas Ele lhes disse: Meu pai trabalha até agora, e eu traba­lho também. Por isso, pois, os judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque não somente violava o sábado, mas também dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus" (Jo 5.16-18). (ênfase minha)
Observe que assim como para os judeus era inadmissível Je­sus ser Filho de Deus enquanto violava o sábado, para o Adventismo é igualmente impossível admitir que os evangélicos sejam filhos de Deus enquanto guardam o domingo, em substi­tuição ao sábado.

1.2. A Abolição do Sábado
Acusado pelos judeus de violar o sábado, Jesus afirmou que "... o sábado foi estabelecido por causa do homem, e não o homem por causa do sábado; de sorte que o Filho do homem é Senhor também do sábado" (Mc 2.27,28).
Com estas palavras, Jesus defende o princípio moral do quar­to mandamento do Decálogo, condenando abertamente o cerimonialismo, e revela a sua autoridade divina sobre o sábado, para cumpri-lo, aboli-lo ou mudá-lo. O sentimento moral é a ne­cessidade de se descansar um dia por semana, valendo, para esse fim, qualquer deles.
Sobre esta questão, escreveu o apóstolo Paulo: "Um faz dife­rença entre dia e dia; outro julga iguais todos os dias. Cada um tenha opinião bem definida em sua própria mente. Quem distin­gue entre dia e dia, para o Senhor o faz" (Rm 14.5,6).

1.3- Por que o Domingo?
Dentre outras razões da substituição do sábado pelo domingo, como dia semanal de repouso para a Igreja, destacam-se as se­guintes:
• Cristo ressuscitou no primeiro dia da semana (Mc 16.9).
• O primeiro dia da semana foi o dia especial das manifesta­ções de Cristo ressuscitado. Manifestou-se cinco vezes no primei­ro domingo e outra vez no domingo seguinte (Lc 24.13,33-36; Jo 20.13-19,26).
• O Espírito Santo foi derramado no dia de Pentecostes, um dia de domingo (Lv 23.15,16,21; At 2.1-4).
• Os cristãos dos tempos apostólicos costumavam reunir-se aos domingos para celebrar a Santa Ceia do Senhor, pregar, e se­parar suas ofertas para o Senhor (At 20.7; 1 Co 16.1,2).
Ainda sobre o domingo como dia de festa semanal da Igreja, veja o que escreveram os seguintes Pais da Igreja:
• Barnabé: "De maneira que nós observamos o domingo com regozijo, o dia em que Jesus ressuscitou dos mortos".
• Justino Mártir: "Mas o domingo é o dia em que todos te­mos nossa reunião comum, porque é o primeiro dia da semana, e Jesus Cristo, nosso Salvador, neste mesmo dia ressuscitou da mor­te".
• Inácio: "Todo aquele que ama a Cristo, celebra o Dia do Senhor, consagrado à ressurreição de Cristo como o principal de todos os dias, não guardando os sábados, mas vivendo de acordo com o Dia do Senhor, no qual nossa vida se levantou outra vez por meio dele e de sua morte. Que todo amigo de Cristo guarde o dia do Senhor!"
• Dionísio de Corinto: "Hoje observamos o dia santo do Se­nhor, em que lemos sua carta".
• Vitorino: "No Dia do Senhor acudimos para tomar nosso pão com ações de graça, para que não se creia que observamos o sábado com os judeus, o qual Cristo mesmo, o Senhor do sábado, aboliu em seu corpo".
Escreve o apóstolo Paulo: "Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados, por­que tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo. Ninguém se faça árbitro contra vós ou­tros, pretextando humildade e culto dos anjos, baseando-se em visões, enfatuado sem motivo algum na sua mente carnal, e não retendo a Cabeça, da qual todo corpo, suprido e bem vinculado por suas juntas e ligamentos, cresce o crescimento que procede de Deus" (Cl 2.16-19).

II. DOUTRINAS PECULIARES DO ADVENTISMO
Além da guarda do sábado, o Adventismo do Sétimo Dia di­verge dos evangélicos em outros três assuntos de capital impor­tância. São eles: o estado da alma após a morte, o destino final dos ímpios e de Satanás, e a obra da expiação.

2.1. O Estado da Alma Após a Morte
O Adventismo ensina que após a morte do corpo a alma é reduzida ao estado de silêncio, de inatividade e de inteira in-consciência, isto é, entre a morte e a ressurreição, os mortos dor­mem.
Este ensino contradiz vários textos das Escrituras, dentre os quais destacam-se Lucas 16.22-30 e Apocalipse 6.9,10.
O primeiro texto registra a história do rico e Lázaro logo após a morte, e mostra que o rico, estando no inferno,
a. levantou os olhos e viu Lázaro no seio de Abraão (v.23);
b. clamou por misericórdia (v.24);
c. teve sede (v.24);
d. sentiu-se atormentado (v.24);
e. rogou em favor dos seus irmãos (v.27);
f. ainda tinha seus irmãos em lembrança (v.28);
g. persistiu em rogar a favor dos seus entes queridos (v.30).

Já o texto de Apocalipse 6.9,10 trata da abertura do quinto selo, quando João viu debaixo do altar "as almas daqueles que tinham sido mortos por causa da palavra de Deus e por causa do testemunho que sustentavam".

Segundo o registro de João, elas
a. clamavam com grande voz (v.10);
b. inquiriram o Senhor (v.10);
c. reconheceram a soberania do Senhor (v.10);
d. lembravam-se de acontecimentos da Terra (v.10);
e. clamavam por vingança divina contra os ímpios (v. 10).
As expressões dormir ou sono usadas na Bíblia para tipificar a morte falam da indiferença dos mortos para com os acontecimen­tos normais da Terra e nunca para com aquilo que faz parte do ambiente onde estão as almas desencarnadas. Assim como o sub­consciente continua ativo enquanto o corpo dorme, a alma do ho­mem não cessa sua atividade quando o corpo morre.
A palavra de Cristo na cruz ao ladrão arrependido: "Em ver­dade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso" (Lc 23.43), é uma prova da consciência da alma imediatamente após a morte.
No momento da transfiguração de Cristo, Moisés não estava inconsciente e silencioso enquanto falava com Cristo sobre a sua morte iminente (Mt 17.1-6).

2.2. O Destino Final dos Ímpios e Satanás
Spicer, um dos mais lidos escritores adventistas, escreve: "O ensino positivo da Sagrada Escritura é que o pecado e os pecado­res serão exterminados para não mais existirem. Haverá de novo um Universo limpo, quando estiver terminada a grande controvér­sia entre Cristo e Satanás". É evidente que este ensino entra em contradição com as seguintes passagens: Daniel 12.2; Mateus 25.46; João 5.29 e Apocalipse 20.10.
Daniel 12.2 e Mateus 25.46 estão de acordo ao afirmar que:
a. Os justos ressuscitarão para a vida e gozo eternos;
b. Os ímpios ressuscitarão para vergonha e horror igualmente eternos.
Aqui, "vergonha e horror eterno" não significa destruição ou aniquilamento. Estas palavras falam do estado de separação entre Deus e o ímpio após a sua morte. Se for certo que o ímpio será destruído, por que então terá ele de ressuscitar e depois ser lança­do no Lago de Fogo? (Mt 25.41). Apocalipse 14.10,11 diz que os adoradores do Anticristo serão atormentados "e a fumaça de seu tormento sobe pelos séculos dos séculos". Isto não é aniquilamen­to. Quanto à pessoa de Satanás, Apocalipse 20.10 diz que ele, o Anticristo e o Falso Profeta, "serão atormentados no Lago de Fogo pelos séculos dos séculos", para sempre. Isto não é aniquilamento.

2.3. A Doutrina da Expiação
Segundo o Adventismo do Sétimo Dia, a doutrina da expiação é explicada partindo do seguinte raciocínio:
a. Em 1844, Cristo começou a purificação do santuário celestial.
b. O céu é a réplica do santuário típico sobre a Terra, com dois compartimentos: o lugar santo e o santo dos santos.
c. No primeiro compartimento do santuário celestial, Cristo intercedeu durante dezoito séculos (do ano 33 ao ano 1844), em prol dos pecadores penitentes, "entretanto seus pecados permane­ciam ainda no livro de registros".
d. A expiação de Cristo permanecera inacabada, pois havia ainda uma tarefa a ser realizada, a saber: a remoção de pecados do santuário no céu.
e. A doutrina do santuário levou o Adventismo do Sétimo Dia finalmente a declarar: "Nós discordamos da opinião de que a ex­piação foi efetuada na cruz, conforme geralmente se admite".
Este ensino não pode manter-se de pé, primeiramente porque foi concebido por uma pessoa (a senhora White) de exagerado fanatismo e de muitas visões da carne; e segundo, porque é incoe­rente com o tratamento do assunto nas Escrituras. A Bíblia ensina que:
a. A obra expiatória de Cristo é perfeita (Hb 7.27; 10.12,14).
b. A salvação do crente é perfeita e imediata (Jo 5.24; 8.36; Rm8.1; 1 Jo 1.7)

 
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